terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Música



Certa feita em uma conversa de amigos, uns se declararam apaixonados pelo céu, outros pela natureza, e eu me perguntei o que motivava, me fazia arrepiar, contemplar as obras de Deus e me sentir parte do universo? Confesso que fiquei frustrada na hora, porque eu não sentia algo tão forte com o que eles falavam, e ao mesmo tempo não tinha algo concreto pra também demonstrar paixão. Então em uma noite eu me lembrei de algo e foi aí que me toquei!
Quando eu era criança e estudava na escola de música, sempre que me perguntavam o que eu era, eu respondia: - eu sou música!!
Eu achava que feminino de musico era música! Daí eu enchia a boca pra falar que era música!
E nao é que de tanto eu profetizar, acabei virando música?? Eu poderia ser musicista, poderia ter seguido a vida de violinista, mas eu deixei isso tudo pra virar música! Isso mesmo, eu larguei isso tudo pra ser essencialmente música. E talvez eu não seria tão realizada como eu sou hoje. Eu não sou uma música especifica, não sou um acorde definido, e muito menos um estilo musical. Eu sou música, eu me encontro em trechos, faço da minha cama o som, do meu colchão as letras e do meu travesseiro a harmonia. Eu faço da voz as estrelas, faço de bandas e orquestras o meu céu, do meu universo as melodias. Estranho é que agora eu estou falando de música, no silencio, talvez até ele tenha uma melodia pra mim.
Eu não posso negar que tudo em mim vira música, que eu tenho necessidade de som, que eu prefiro a valsa do vento ao invés de gente aos meus pés, não posso negar que eu quero um amor em música, que penso mais na trilha sonora do que na história em si. Pouco me importam as palavras, sempre achei que a música fala muito mais que mil declarações desesperadas de amor. Posso parecer exagerada demais, mas o que eu posso fazer? Eu sou música, pago o preço por ser, mas só eu sei o quanto vale a pena assim viver.

" que eu seja sempre o primeiro a me encontrar em tua casa, e em sua misericórdia transformar a minha vida NUMA LINDA CANÇÃO"

domingo, 23 de dezembro de 2012

Clichê


Pensei que fosse soltar fogos quando esse dia chegasse, mas hoje me vejo aqui, sentada de frente a essa banda de jazz com apenas uma taça na mão.
Não que isso seja ruim, pelo contrario, estou sorrindo por dentro.
Não vejo motivos pra um drama, o que vejo hoje é minha total ausência ao romance, não estou falando de relacionamento, mas falo daquilo que toda mulher tem, aquele brilho inconformado quando assiste um filme, ou vai a um casamento, ou qualquer dessas coisas.
Nunca fui também de ficar urrando de romantismo, nunca fui muito de nhenhem
E agora, justamente nessa hora, a banda me toca com um jazz daquele de morrer por dentro, e descubro que me comovo mais com música do que vendo o George Cloney declarar amor eterno a uma atriz qualquer.
O legal é que estou sozinha nesse bar, e só o fato de observar a banda já me causa um efeito avassalador.
Vejo na minha frente dois casais dançando levemente ao som do improviso, eu sorrio leve, sempre quis estar aqui, sempre mesmo...
Não acho que romper laços com o romantismo vá me tornar em uma pessoa má, pelo contrario, eu sinto que foi um dos melhores rompimentos que já passei!
Engraçado que eu sentia pena de pessoas que se encontravam sozinhas em bares ou restaurantes, e aqui estou eu! Brindando um momento que sempre condenei.
Só que nessa noite a lua está alta, forte e firme, e meu sentimento é de total encontro, encontrei de verdade o sentido de estar na hora certa e no lugar certo, incrível como eu achei que esse sentimento se daria quando eu estivesse com alguém, mas hoje pensando bem, eu sou uma excelente companhia.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Milímetro

Sou a favor do zoom, a favor da aproximação.
Daquelas cenas feitas por dois. Da casualidade, da foto de sorriso espontâneo, daquele fechar de olhos intensos.
Se aproximar pode ser perigoso, se aproximar pode ser letal. Uma dose, pronto! Já era! Aquele som alto, não alto, mas do som que invade o ouvido deixando a gente perceber que o cantor tem folego e tem caídas.
Sou a favor do sorriso de olho fechado, sou a favor do som do sorriso. Esse som que mesmo distante você acaba vendo o sorriso, mesmo de olhos fechados.
E aquela bela respiração? Bem perto do outro, daquela respiração de tristeza, que talvez seja só o que o outro quer ouvir.
Sou a favor das palavras sem nexo, sem sentido, daquilo que poucas pessoas sabem. Um código em conjunto.
Sou a favor do encontro, aquele encontro sem querer, aquilo que tava na vida, sem a gente saber.
Sou a favor do coração acelerar por nada, simplesmente por uma música, por um pensamento. Aquele combo de coração e frio na barriga.
Não posso esquecer do arrepio, o arrepio do toque invisível, do vento imprevisível.
Fazer do sorriso, palavras desordenadas, bagunça de cabelo, confusão de fios.
Aquela estrada sem fim, talvez seja mesmo um belo destino, exatamente como uma noiva a cada passo indo em direção ao altar. Leva consigo uma certeza, em cada passo ela joga fora outros destinos.
Acabei andando, tendo a certeza de que nada é tão certo, e nada é tão duro assim.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Memórias




Eu disse que tinha que ir, ele me beijou e disse pra eu não pensar em muita coisa rsrs... Engraçado.
Como resistir a essa ligação entre nós? Como escapar da suas mãos, do seu sorriso e do seu doce beijo? Esse jeito de nós dois, disso eu tenho falta, tenho saudade de segurar nas suas mãos, saudade de vê-lo me olhar nos olhos.
Hoje me resguardo de um tempo que talvez não volte, das minhas doces palavras que nunca pude dizer, me acalento sabendo que " nada vai conseguir mudar o que ficou, quando penso em alguém eu só penso em você e aí então estamos bem. Mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como está, nem desistir nem tentar agora tanto faz, estamos indo de volta pra casa..."

E foi aí que saí, e foi assim que se foi...

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Areia


Ela fechou a porta...

Saiu o mais rápido possível, pegou as chaves do carro, entrou de vez no automóvel, ela sentia que tinha que ir cada vez mais rápido.
Andar naquela orla, embora uma chuva fina ameaçava descer, faria bem. Ela precisava dirigir pro lugar mais longe, a estrada indicava seu desejo. Ela não pestanejou em ir cada vez mais rápido. Sentia o frenesi do contato do pneu na estrada, ela chorava, mas suas lagrimas eram de alivio, algo que fazia tempo que ela não sentia. Dirigiu até aquele lugar deserto que sempre desejava ir quando em seus planos quis um lugar, mas ele não era tão deserto assim, mas ela poderia andar e passar despercebida... Despercebida, era o que ela não tinha sido durante esse tempo, e era tudo que ela queria. Chegou ao lugar, desceu do carro, agora era só ela e o Renato Russo no seu fone, será que realmente não era tempo perdido? Será que valera a pena? Nunca se sabe, ao menos agora lhe restara a sanidade e o auto consolo de que as coisas iriam mudar, essas cobranças de se igualar a maioria já não era mais seu dilema, ela decidiu fechar a porta. E realmente a manha estava cinza, como o próprio Renato cantava. Ela tirou as sandálias, andou na areia, sentiu o vento frio lhe envolver, ela se sentia bem quando entrava em contato com o frio, era como se o arrepiar da pele lhe comprovasse que ela estava viva, "nem foi tempo perdido, somos tão jovens..."
A cidade amanhecia , e ela já estava lá, seus desejos mais profundos foram enterrados na mesma areia, ela riu, valera a pena perder o emprego em troca de sua honestidade, pois quando ela decidiu ser fiel, ela decidiu ser fiel até o fim.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Capoeira


"Eu quero ver eu quero ver, como se luta capoeira
Sem se tocar é só mover, que um golpe te pega na certeira"


No agitar do palco
Estão dois jogadores
Não sei de que lado certo é, meu senhores!

Mas o combate está feito

Com um grito bem feito, lá se vem a primeira ginga
É do jogador Azul as boas vindas.

Não sei como, ele se revelou,
entrou na dança, gingou
Um golpe forte, mas que errou

O jogador verde na espreita,
esperou o tempo certo da rasteira
Astuto e observador, sacou o azul e a capoeira.

Agora o movimento é da música, ou a música é do movimento, não sabemos ao certo.
Aquele clima de combate final,
Vocês podem ver os jogadores?
Será que estão no ritmo das palmas, no ritmo da percussão ou serão as batidas dos pés no chão?

Não, hoje não temos cantigas convencionais, é luta, capoeira hoje não vem pra dançar!

Meu coração acelera, azul caiu na terra,
Verde não esperou
sua chance aproveitou
Acertou golpe certeiro na perna,
Poeira sobe, azul se quebra!

Observem senhores, o azul no ritmo tombou!
Observem senhores, a música em sangue tornou!

Enquanto isso a canção segue a sina:
“Eu quero ver eu quero ver, como se luta capoeira
Sem se tocar é só mover, que um golpe te pega na certeira,
Não se assuste não se assuste menina
Quem entra na capoeira aceita vencer ou perder a rima”


O Verde não cedeu, dois golpes foram dados
O Azul estarreceu
Apenas dois contados
E a canção mudou seu brado:
“Eu quero ver eu quero ver, quem é que vai lutar capoeira
Não se engane do perigo, um dia vem alguém e lhe acerta uma rasteira
Eu quero ver eu quero ver, como se luta capoeira
Sem se tocar é só mover, um golpe te pega na certeira”


A plateia estremeceu, o Verde venceu
Gritos ovacionados, adrenalina de um coração tresloucado
Quem viu viveu, quem não entendeu, PERDEU

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Exceção



No Wikcionário temos as seguintes definições:

1. ato ou efeito de excetuar
2. o que não se submete à regra
3. desvio da regra geral (comum)
4. privilégio

E mais, vem do latim, da palavra exceptio, -onis.

E agora vem da minha vida, do que eu ando, do que eu passo, do que eu vivo.

Exceção... Uma palavra bem a minha cara. Tanto pro bem, tanto pro mal, haverão sempre exceções na minha vida.

O que me motivou a falar sobre exceção foi escutar duas músicas da Vanessa da Mata, que sempre foram de grande significado pra mim. Eu estava lavando a casa e cantando, como normalmente foi levo vida de empreguete, mas cantando uma das músicas eu fiquei meio tocada com certas frases da música. Aí eu parei pra analisar, pensei bem sobre o que é exceção, e cheguei a conclusão que realmente é bom ser exceção, e que também é muito ruim.

Exceção boa é ser privilégio:
"Neste mundo de tantos anos
Entre tantos outros
Que sorte a nossa, hein?
Entre tantas paixões
Esse encontro
Nós dois
Esse amor"

Exceção ruim, é quando TODOS têm algo que seria normal, e você não, ou seja, o que não se submete à regra:
"Como pode ser gostar de alguém
E esse tal alguém não ser seu"

Me vejo muito, em todas as músicas que encontro, e agora me sinto bem em saber que tem um pouco de mim em cada música. Uma exceção boa que encontrei nas letras da Vanessa é o beijo. Ela fala aquilo que sempre pensei, que sempre acreditei, não é algo meloso, nem mesmo algo AMÉLIA, mas algo que acontece quando você sabe o que é EXCEÇÃO, e que hoje pra mim é um ato e um efeito de excetuar:

"Meus melhores beijos serão seus"

"Meus beijos sem os seus não dariam
Os dias chegariam sem paixão"

Agora falando do desvio da regra geral, sinto um aperto, um arrepio, uma sensação que talvez não se transmita do jeito que eu quero que vocês sintam. Esse desvio do comum, é justamente aquilo que não se encontra todo dia, é aquilo que vai ter um valor maior:

"É COMO SE AQUILO SÓ ACONTECESSE COM A GENTE, É COMO SE O BRILHO, O ENCANTO SÓ SE MANIFESTASSE EM NÓS... O CHEIRO DE DOIS, O OLHAR DE ENTENDIMENTO, O ABRAÇO QUE SE CALOU, O CALOR DAQUELE ABRAÇO"

Isso é mágica, isso é exceção, isso é algo pra se viver e que vale a pena procurar!
Chego a seguinte conclusão: O AMOR É UMA GRANDE EXCEÇÃO.


Músicas: Amado e Ainda bem.

Obs: A frase em Capslock é minha :)