segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Milímetro

Sou a favor do zoom, a favor da aproximação.
Daquelas cenas feitas por dois. Da casualidade, da foto de sorriso espontâneo, daquele fechar de olhos intensos.
Se aproximar pode ser perigoso, se aproximar pode ser letal. Uma dose, pronto! Já era! Aquele som alto, não alto, mas do som que invade o ouvido deixando a gente perceber que o cantor tem folego e tem caídas.
Sou a favor do sorriso de olho fechado, sou a favor do som do sorriso. Esse som que mesmo distante você acaba vendo o sorriso, mesmo de olhos fechados.
E aquela bela respiração? Bem perto do outro, daquela respiração de tristeza, que talvez seja só o que o outro quer ouvir.
Sou a favor das palavras sem nexo, sem sentido, daquilo que poucas pessoas sabem. Um código em conjunto.
Sou a favor do encontro, aquele encontro sem querer, aquilo que tava na vida, sem a gente saber.
Sou a favor do coração acelerar por nada, simplesmente por uma música, por um pensamento. Aquele combo de coração e frio na barriga.
Não posso esquecer do arrepio, o arrepio do toque invisível, do vento imprevisível.
Fazer do sorriso, palavras desordenadas, bagunça de cabelo, confusão de fios.
Aquela estrada sem fim, talvez seja mesmo um belo destino, exatamente como uma noiva a cada passo indo em direção ao altar. Leva consigo uma certeza, em cada passo ela joga fora outros destinos.
Acabei andando, tendo a certeza de que nada é tão certo, e nada é tão duro assim.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Memórias




Eu disse que tinha que ir, ele me beijou e disse pra eu não pensar em muita coisa rsrs... Engraçado.
Como resistir a essa ligação entre nós? Como escapar da suas mãos, do seu sorriso e do seu doce beijo? Esse jeito de nós dois, disso eu tenho falta, tenho saudade de segurar nas suas mãos, saudade de vê-lo me olhar nos olhos.
Hoje me resguardo de um tempo que talvez não volte, das minhas doces palavras que nunca pude dizer, me acalento sabendo que " nada vai conseguir mudar o que ficou, quando penso em alguém eu só penso em você e aí então estamos bem. Mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como está, nem desistir nem tentar agora tanto faz, estamos indo de volta pra casa..."

E foi aí que saí, e foi assim que se foi...

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Areia


Ela fechou a porta...

Saiu o mais rápido possível, pegou as chaves do carro, entrou de vez no automóvel, ela sentia que tinha que ir cada vez mais rápido.
Andar naquela orla, embora uma chuva fina ameaçava descer, faria bem. Ela precisava dirigir pro lugar mais longe, a estrada indicava seu desejo. Ela não pestanejou em ir cada vez mais rápido. Sentia o frenesi do contato do pneu na estrada, ela chorava, mas suas lagrimas eram de alivio, algo que fazia tempo que ela não sentia. Dirigiu até aquele lugar deserto que sempre desejava ir quando em seus planos quis um lugar, mas ele não era tão deserto assim, mas ela poderia andar e passar despercebida... Despercebida, era o que ela não tinha sido durante esse tempo, e era tudo que ela queria. Chegou ao lugar, desceu do carro, agora era só ela e o Renato Russo no seu fone, será que realmente não era tempo perdido? Será que valera a pena? Nunca se sabe, ao menos agora lhe restara a sanidade e o auto consolo de que as coisas iriam mudar, essas cobranças de se igualar a maioria já não era mais seu dilema, ela decidiu fechar a porta. E realmente a manha estava cinza, como o próprio Renato cantava. Ela tirou as sandálias, andou na areia, sentiu o vento frio lhe envolver, ela se sentia bem quando entrava em contato com o frio, era como se o arrepiar da pele lhe comprovasse que ela estava viva, "nem foi tempo perdido, somos tão jovens..."
A cidade amanhecia , e ela já estava lá, seus desejos mais profundos foram enterrados na mesma areia, ela riu, valera a pena perder o emprego em troca de sua honestidade, pois quando ela decidiu ser fiel, ela decidiu ser fiel até o fim.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Capoeira


"Eu quero ver eu quero ver, como se luta capoeira
Sem se tocar é só mover, que um golpe te pega na certeira"


No agitar do palco
Estão dois jogadores
Não sei de que lado certo é, meu senhores!

Mas o combate está feito

Com um grito bem feito, lá se vem a primeira ginga
É do jogador Azul as boas vindas.

Não sei como, ele se revelou,
entrou na dança, gingou
Um golpe forte, mas que errou

O jogador verde na espreita,
esperou o tempo certo da rasteira
Astuto e observador, sacou o azul e a capoeira.

Agora o movimento é da música, ou a música é do movimento, não sabemos ao certo.
Aquele clima de combate final,
Vocês podem ver os jogadores?
Será que estão no ritmo das palmas, no ritmo da percussão ou serão as batidas dos pés no chão?

Não, hoje não temos cantigas convencionais, é luta, capoeira hoje não vem pra dançar!

Meu coração acelera, azul caiu na terra,
Verde não esperou
sua chance aproveitou
Acertou golpe certeiro na perna,
Poeira sobe, azul se quebra!

Observem senhores, o azul no ritmo tombou!
Observem senhores, a música em sangue tornou!

Enquanto isso a canção segue a sina:
“Eu quero ver eu quero ver, como se luta capoeira
Sem se tocar é só mover, que um golpe te pega na certeira,
Não se assuste não se assuste menina
Quem entra na capoeira aceita vencer ou perder a rima”


O Verde não cedeu, dois golpes foram dados
O Azul estarreceu
Apenas dois contados
E a canção mudou seu brado:
“Eu quero ver eu quero ver, quem é que vai lutar capoeira
Não se engane do perigo, um dia vem alguém e lhe acerta uma rasteira
Eu quero ver eu quero ver, como se luta capoeira
Sem se tocar é só mover, um golpe te pega na certeira”


A plateia estremeceu, o Verde venceu
Gritos ovacionados, adrenalina de um coração tresloucado
Quem viu viveu, quem não entendeu, PERDEU

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Exceção



No Wikcionário temos as seguintes definições:

1. ato ou efeito de excetuar
2. o que não se submete à regra
3. desvio da regra geral (comum)
4. privilégio

E mais, vem do latim, da palavra exceptio, -onis.

E agora vem da minha vida, do que eu ando, do que eu passo, do que eu vivo.

Exceção... Uma palavra bem a minha cara. Tanto pro bem, tanto pro mal, haverão sempre exceções na minha vida.

O que me motivou a falar sobre exceção foi escutar duas músicas da Vanessa da Mata, que sempre foram de grande significado pra mim. Eu estava lavando a casa e cantando, como normalmente foi levo vida de empreguete, mas cantando uma das músicas eu fiquei meio tocada com certas frases da música. Aí eu parei pra analisar, pensei bem sobre o que é exceção, e cheguei a conclusão que realmente é bom ser exceção, e que também é muito ruim.

Exceção boa é ser privilégio:
"Neste mundo de tantos anos
Entre tantos outros
Que sorte a nossa, hein?
Entre tantas paixões
Esse encontro
Nós dois
Esse amor"

Exceção ruim, é quando TODOS têm algo que seria normal, e você não, ou seja, o que não se submete à regra:
"Como pode ser gostar de alguém
E esse tal alguém não ser seu"

Me vejo muito, em todas as músicas que encontro, e agora me sinto bem em saber que tem um pouco de mim em cada música. Uma exceção boa que encontrei nas letras da Vanessa é o beijo. Ela fala aquilo que sempre pensei, que sempre acreditei, não é algo meloso, nem mesmo algo AMÉLIA, mas algo que acontece quando você sabe o que é EXCEÇÃO, e que hoje pra mim é um ato e um efeito de excetuar:

"Meus melhores beijos serão seus"

"Meus beijos sem os seus não dariam
Os dias chegariam sem paixão"

Agora falando do desvio da regra geral, sinto um aperto, um arrepio, uma sensação que talvez não se transmita do jeito que eu quero que vocês sintam. Esse desvio do comum, é justamente aquilo que não se encontra todo dia, é aquilo que vai ter um valor maior:

"É COMO SE AQUILO SÓ ACONTECESSE COM A GENTE, É COMO SE O BRILHO, O ENCANTO SÓ SE MANIFESTASSE EM NÓS... O CHEIRO DE DOIS, O OLHAR DE ENTENDIMENTO, O ABRAÇO QUE SE CALOU, O CALOR DAQUELE ABRAÇO"

Isso é mágica, isso é exceção, isso é algo pra se viver e que vale a pena procurar!
Chego a seguinte conclusão: O AMOR É UMA GRANDE EXCEÇÃO.


Músicas: Amado e Ainda bem.

Obs: A frase em Capslock é minha :)

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Ironia

É uma benção com o "quê" de maldição
Cada risada, cada respirar fundo
Pura... Ironia!

Por incrível que pareça, eu acho bom quando me chamam de irônica, e ao mesmo tempo eu fico me cobrando uma postura mais "clara", mas isso é tão bom, é a vida imitando a arte, é poder desfrutar de duas vertentes: "a verdade e o humor".

A benção: Incompreensão
A maldição: Incompreensão


Uma coisa boa que eu acho nesse mundo é a galera incompreendida, essa galera carrega consigo uma questão mais profunda do que a gente pensa. E eu mesmo sou taxada de incompreendida! Antigamente eu morria por isso, hoje... O legal é poder oscilar sem que ninguém te entenda. Ao mesmo tempo, é ruim quando ninguém te entende, ou ninguém acredita, MAS... Quem liga né?! Como diria Kátia cega: "Não está sendo fácil", ou seja não ta fácil pra ninguém, então não vejo motivos para me desesperar.

Chega a ser delicioso, ver gente se perdendo nas palavras
Chega a ser prazeroso, rir no duplo sentido

Uma das coisas mais massas essa semana, foi eu atualizar meu status de relacionamento, eu coloquei "relacionamento sério", e quem me conhece sabe que isso é um milagre que ainda não rolou até porque, né?! Ironia ou não, eu to encalhada, mas a parte massa é que teve uma galera que botou fé, e aí minha ficha caiu, tem gente que acredita na ironia como palavra dita, e isso, amigos, é uma ARMA, e infelizmente tem gente como eu que adora obter poder.

Estranho mesmo é quando não sabem quando a verdade é dita...

Mas aí você me pergunta se tudo isso é tão ruim, e eu te digo sim e não! É, amigos, muitas vírgulas, né?! Pasquale, help me!, a vida não é só ver gente sorrindo ou apaixonada, tem muita coisa pra se viver, e muita coisa pra se fazer. Aí é o problema, o tendão de Aquiles do irônico! Quando você quer passar a realidade "na cara" do povo, simplesmente não te dão crédito, e muito menos veracidade!

Mas já dizia Djavan: " Não vá levar tudo tão a sério"

Nesse ponto chega a parte em que eu te faço pensar com música. Eu gosto dessa música, gosto do que o Djavan diz, e eu não vou analisar essa música, mesmo porque o texto ta longo a maioria já desistiu de ler, ela simplesmente é de fácil entendimento. O que me leva a pensar que talvez nem o próprio Djavan foi ou será bem interpretado, tem gente que reclama da profundidade das letras, e tem os "wannabe's" que simplesmente escutam por questão de "Status", mas quem é irônico acaba encontrando e detectando outros irônicos por aí, e talvez eu entenda um pouco o que ele quer dizer nas suas músicas, ou eu sou tão irônica que levo tudo pra esse lado, e estou fazendo altas interpretações erradas, mas relaxa gente, não precisamos levar tudo tão a sério.


Ahh, o nome da música do Djavan é "A Carta".



- "Mas Thati, você não vai falar de amor, de sentimento perdido, de solidão, de profundidade?" Calma amigos, afinal eu já tive um relacionamento, que acabou, daqui a pouco eu venho ralar o cotovelo pra vocês.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Rumo novo



Por mais engraçado que seja, eu estou um pouco decidida a escrever mais sobre o cotidiano em si, e acreditem se quiser: Ao som de ANA CAROLINA! Isso mesmo! A rainha da melancolia me inspirou a falar sobre o cotidiano.
Eu estava me cobrando muito, pelo simples fato de só falar de "coração", mas a própria Ana em uma música declara: "Não vou viver, como alguém que só espera um novo amor,
há outras coisas no caminho aonde eu vou".
Eu me senti na obrigação de mostrar que minha visão vem mudando ao longo do tempo, mas mesmo assim ainda não perdi o feeling intimista que esse blog tem, são muitos anos de transparência (meio sufocada), transparência da minha visão, isso aqui é mais pra mim do que pra quem está lendo. A ideia de ser lida - de ser vida nos olhos de vocês - é encantadora, me fascina saber que mesmo sem falar comigo as pessoas podem ler meus pequenos trechos.
Não estou comunicando nada, estou simplesmente falando, como sempre foi, eu falando da vida, dos carros amarelos, das lembranças não vividas, dos sentimentos perdidos, da esperança renascida...
Agora é comigo, mas creio eu que sempre foi assim.
O que também me motivou a mudar a perspectiva foi meu curso, estou fazendo psicologia, e estou vendo coisas de um jeito novo, mas ainda estou no início do curso, logo, tenho mais coisas pra mudar :)
Queria apenas compartilhar...


Confesso acordei achando tudo indiferente
Verdade acabei sentindo cada dia igual
Quem sabe isso passa sendo eu tão inconstante
Quem sabe o amor tenha chegado ao final (?)


Não vou dizer que tudo é (ou foi) banalidade
Ainda há surpresas mas eu sempre quero mais...


Confesso, Ana Carolina.